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BTN - Há 16 anos Feirinha do Comércio enfrenta abandono e risco de acidentes
Moradores denunciam acúmulo de lixo, insegurança no trânsito e falta de solução definitiva para área central do bairro Tancredo Neves
Feirinha diária no centro comercial do BTNNo coração do bairro Tancredo Neves, em Paulo Afonso, uma área que deveria ser ponto de encontro, de atividades comerciais e circulação de pessoas acabou se transformando em símbolo de um problema antigo e ainda sem solução.
Na esquina das ruas Afonso Raimundo e Padre Lourenço, o cenário mistura abandono, lixo acumulado e improviso. Ali está o prédio da antiga Casa Pesqueira, hoje fechado, deteriorado e envolvido em uma disputa judicial entre herdeiros e o fisco.
Ao redor, a rotina segue, mas não sem incômodo.
Quem passa percebe de imediato restos de entulho, carros abandonados, lixo espalhado, mau cheiro e uma sensação constante de desordem nas calçadas e no trânsito. Para moradores e comerciantes, não se trata apenas de sujeira, mas de um retrato persistente do descaso.
Mas o problema vai além da degradação urbana.
Ele também envolve risco.
A feira funciona justamente em um cruzamento movimentado, onde o fluxo de veículos e pedestres se mistura com bancas montadas de forma improvisada. No local, segundo relatos, já foram registrados diversos acidentes, o que aumenta a preocupação com a segurança.
A exposição ao perigo é constante, tanto para os feirantes, que trabalham diariamente na área, quanto para motoristas e pedestres que circulam pelo trecho.
Apesar disso, a necessidade de trabalhar e garantir o sustento faz com que a atividade continue, mesmo diante das condições adversas.
Um problema que começou há mais de uma década
A origem da situação remonta a 2010, no fim da gestão do então prefeito Wilson Bastos Pereira, quando a Prefeitura de Paulo Afonso inaugurou o Centro de Abastecimento (Ceasa), às margens da BA-210.
Com a mudança, a tradicional feira livre que funcionava nas ruas Afonso Raimundo, Delmiro Gouveia e Padre Lourenço, no BTN 2, foi transferida para o novo espaço.
A decisão, no entanto, não ocorreu de forma tranquila.
Parte dos feirantes — especialmente aqueles que trabalhavam diariamente — resistiu à mudança e permaneceu nas ruas, mantendo suas atividades no local original.
Nos anos seguintes, já na gestão de Raimundo Caíres, a Prefeitura tentou uma solução provisória, alugando um imóvel para abrigar esses trabalhadores. A medida, porém, teve duração limitada. Após cerca de dois anos, o proprietário solicitou o imóvel para uso próprio, e os feirantes ficaram novamente sem alternativa.
Voltaram para a rua.
Posteriormente, passaram a ocupar a área onde estão atualmente, em frente ao imóvel abandonado.
Impasse que atravessa gestões
Desde então, o problema atravessou diferentes administrações. Mais de 16 anos se passaram, e nenhuma solução definitiva foi implementada.
Quem trabalha no local convive com a instabilidade. Quem mora nas proximidades, com os impactos diretos. E quem circula pela região, com o risco.
Para moradores, o que mais chama atenção não é apenas o cenário atual, mas a percepção de que alternativas poderiam ter sido adotadas ao longo do tempo. Medidas como a utilização provisória do imóvel, acordos judiciais, projetos de reordenamento urbano, locação com possibilidade de aquisição ou até desapropriação por interesse social são apontadas como caminhos possíveis que não avançaram.
Hoje, o que se vê é um problema acumulado ao longo dos anos.
E um impasse que permanece sem solução.
Cobrança à gestão atual
Diante desse cenário, cresce a expectativa por um posicionamento da atual gestão municipal.
O prefeito Mário Galinho, que não foi responsável pela origem do problema, é cobrado por moradores e trabalhadores a apresentar uma solução definitiva para a área — que garanta segurança, organização urbana e condições dignas para os feirantes.
A demanda é clara: resolver um problema antigo, reduzir riscos e preservar tanto a vida quanto a atividade econômica no local.
Enquanto isso, a realidade segue a mesma no BTN — entre o trabalho de quem resiste e a espera de quem aguarda, há anos, por uma resposta que ainda não veio.




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