PADRE LOURENÇO TORI E SUA CURTA E MARCANTE HISTÓRIA EM PAULO AFONSO
A história de Padre Lourenço em Paulo Afonso começou quando no dia 31 de março de 1968, padre Alcides Modesto Coelho, vindo da cidade de Jaguarari, com apenas dois anos de ordenação, tomou posse na Paróquia de Paulo Afonso. Os problemas sociais eram imensos e ele empreendeu esforços para organizar a Igreja e as associações religiosas, com foco principal nos problemas sociais e apoio integral aos mais necessitados.
A partir daí, Padre Alcides foi incumbido da missão de receber e apoiar dois padres que estavam chegando da Itália para trabalhar como missionários em Paulo Afonso. Os padres Lourenço Tori e Mário Zanetta, seminaristas da mesma época mas, de regiões diferentes, chegaram em Paulo Afonso no dia 24 de maio de 1969, trazidos pelo padre João Evangelista e entregues ao padre Alcides na Diocese de Paulo Afonso.
Enquanto padre Mário Zanetta cuidava da parte burocrática e das viagens à serviço da Diocese, padre Lourenço Tori dedicava sua vida aos pobres, indo ao encontro dos mais carentes e não admitindo que estas pessoas passassem fome. Normalmente fazia questão de levar alimentos para as mesas dos mais necessitados. Esteve sempre presente nas localidades mais humildes, onde procurava compreender e vivenciar as adversidades, e de alguma forma ajudar nas necessidades materiais e espirituais.
O DIA DA TRAGÉDIA
No dia 3 de fevereiro de 1973, esteve ajudando nos serviços da construção e ampliação da Casa das Freiras e enquanto retornava pilotando sua motocicleta para atender outro compromisso, sofreu um trágico acidente que tirou sua vida. O Padre foi atropelado por um caminhão basculante que saia de dentro do canal que estava sendo aberto para o reservatório da usina Paulo Afonso Quatro.
Pouco tempo depois, no local do acidente no Bairro Panorama, foi construída a Igreja de São Lourenço.
ELE FEZ MUITA FALTA
A morte do Padre Lourenço causou grande comoção na sociedade. A cidade parou em desespero e lágrimas. Mesmo em pouco mais de quatro anos de convívio em Paulo Afonso, Padre Lourenço criou um vínculo gigantesco de amizade com o povo do Bairro Mulungú (atual Tancredo Neves) onde passou a maior parte do seu tempo, ajudando a construir moradias e convivendo com pessoas humildes, idosos e principalmente, as crianças que ele sempre visitava nos recreios das "Escolas Casa da Criança" por onde passava.
Padre Lourenço ajudou muito às camadas carentes da população, principalmente quando a Chesf estava demarcando área e desalojando os moradores do Riacho do Grito onde atualmente estão instalados o reservatório e a Usina Paulo Afonso Quatro.
Na base da força bruta com guardas, policiais, máquinas e tratores, os moradores humildes estavam sendo expulsos daquela comunidade onde viviam há alguns anos. Os padres: Lourenço, Mário Zaneta e Alcides se mobilizaram com outras autoridades e conseguiram barrar a ação da Chesf e exigiram dela o justo remanejamento das famílias para áreas apropriadas, com equipamentos, transporte dos seus mobiliários e contratação de pedreiros e ajudantes para erguer de forma urgente a suficiente quantidade de casas para aquelas famílias. Assim, através da intervenção dos padres e apoio da Justiça e da Polícia, a Chesf cumpriu as ordens e construiu pequenas casas para mais de duzentas famílias que foram transferidas daquela comunidade para o Bairro Mulungú em casas construídas por empreiteiras contratadas pela Chesf como a CINOC e CIBEL exclusivamente para essa finalidade.
As casas foram erguidas para servir aos moradores do Riacho do Grito e imediações. Pois a Chesf tinha pressa em construir o lago e a Usina Paulo Afonso Quatro, fato que realmente aconteceu.




COMENTÁRIOS