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Paulo Afonso,23/03/2026

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Aldo Carvalho

O JORNALISMO GOLPISTA PEDE DESCULPAS QUE NÃO COLAM

Divulgação
O JORNALISMO GOLPISTA PEDE DESCULPAS QUE NÃO COLAM Andréia Sadi pede desculpas na Globo News

O jornalismo BRASILEIRO do século XXI, em determinados momentos, surpreendeu por romper — ainda que pontualmente — com editoriais historicamente tendenciosos e abertamente oposicionistas. Essas exceções criaram, em parte de nós, progressistas, a expectativa de que haveria ali um compromisso real com o equilíbrio, a seriedade e a responsabilidade jornalística, algo que, em tese, o diferenciaria da Globo EM SUA EXIBIÇÃO aberta, marcada por práticas já conhecidas e desgastadas como o descarado apoio aos golpes de 64, derrubada de Dilma e canonização de Moro.

Eu, ao menos, alimentei essa esperança. Hoje, ela se converte em profunda decepção. A constatação é dura: alguns desses jornalistas mostraram-se, mais uma vez, descarada e despudoradamente infiéis à verdade.

Reeditar uma técnica vil, imoral e amplamente desacreditada — como a empregada na Lava Jato — cientes de tudo o que ela provocou no país, é um ato que ultrapassa o erro profissional. Falamos da incubação do fascismo, da disseminação do ódio, da destruição de cadeias produtivas inteiras, da desmoralização internacional do Brasil e da entrega do patrimônio nacional em práticas tipicamente lesa‑pátria. Repetir esse método, hoje, é assinar publicamente a própria falência ética, a debilidade jornalística e a pobreza intelectual.

Induzir a sociedade a uma leitura completamente distorcida da realidade, com objetivos claramente eleitoreiros, por meio de ilações frágeis, sem evidências claras, enquanto se omitem ou ocultam fatos que possuem provas robustas e verificáveis, não é jornalismo. É manipulação. Nunca houve ali intenção de esclarecer; o objetivo foi, deliberadamente, inflamar os setores mais extremistas da oposição ao atual governo. Assistimos a uma criminosa substituição da informação pela sugestão. Um espetáculo grotesco, materializado num “power point” que remete, sem qualquer pudor, ao estilo Moro‑Dallagnol — uma escrotidão conceitual e ética em sua forma mais pura.

A honestidade intelectual esteve ausente. O rigor técnico, igualmente. A responsabilidade jornalística, simplesmente ignorada. Fatos não sustentados por evidências sólidas deveriam, obrigatoriamente, ser tratados com o cuidado que separa o exercício responsável da comunicação do ato abjeto de destruição de reputações e consciências. Essa linha foi cruzada de forma proposital, consciente e flagrante.

Alguns dos envolvidos nessa apresentação, a meu ver, lançaram na lama uma reputação que ainda resistia às críticas da intelectualidade séria — aquela que pensa, analisa e não se curva ao oportunismo. O desalinhamento com o padrão que eles próprios ajudaram a construir provocou um sentimento coletivo de frustração profunda. A máscara caiu — e não era de carne, mas de cerâmica. Quebrou-se em estilhaços.

Diante disso, impõe-se o rigor da lei. Não é aceitável a narrativa do “erro involuntário”. Uma emissora desse porte não erra por acaso, e jornalistas experientes não agem como amadores ou iniciantes. O dano causado é coletivo, amplo e profundo — e não se repara com um pedido protocolar de desculpas. Milhões de reproduções dessas falas seguem alimentando o ódio, a desinformação e o delírio de grupos fascistas e da extrema direita obscurantista, que se regozijam com esse tipo de prática.

Pedir desculpas? Isso não apaga o estrago. Sair de fininho, fingindo que nada aconteceu, não é apenas insuficiente — é indecente.

Justiça, aqui, exige reparação pública proporcional ao dano causado: veiculação no mesmo canal, no mesmo horário, com a mesma duração, e com a presença daqueles que foram diretamente prejudicados. Qualquer coisa menos que isso será apenas mais uma tentativa de normalizar o inaceitável.



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