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Paulo Afonso,09/04/2026

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BTN - Há 16 anos Feirinha do Comércio enfrenta abandono e risco de acidentes

Moradores denunciam acúmulo de lixo, insegurança no trânsito e falta de solução definitiva para área central do bairro Tancredo Neves

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BTN - Há 16 anos Feirinha do Comércio enfrenta abandono e risco de acidentes Feirinha diária no centro comercial do BTN


No coração do bairro Tancredo Neves, em Paulo Afonso, uma área que deveria ser ponto de encontro, de atividades comerciais e circulação de pessoas acabou se transformando em símbolo de um problema antigo e ainda sem solução.

Na esquina das ruas Afonso Raimundo e Padre Lourenço, o cenário mistura abandono, lixo acumulado e improviso. Ali está o prédio da antiga Casa Pesqueira, hoje fechado, deteriorado e envolvido em uma disputa judicial entre herdeiros e o fisco.

Ao redor, a rotina segue, mas não sem incômodo.

Quem passa percebe de imediato restos de entulho, carros abandonados, lixo espalhado, mau cheiro e uma sensação constante de desordem nas calçadas e no trânsito. Para moradores e comerciantes, não se trata apenas de sujeira, mas de um retrato persistente do descaso.

Mas o problema vai além da degradação urbana.

Ele também envolve risco.

A feira funciona justamente em um cruzamento movimentado, onde o fluxo de veículos e pedestres se mistura com bancas montadas de forma improvisada. No local, segundo relatos, já foram registrados diversos acidentes, o que aumenta a preocupação com a segurança.

A exposição ao perigo é constante, tanto para os feirantes, que trabalham diariamente na área, quanto para motoristas e pedestres que circulam pelo trecho.

Apesar disso, a necessidade de trabalhar e garantir o sustento faz com que a atividade continue, mesmo diante das condições adversas.


Um problema que começou há mais de uma década

A origem da situação remonta a 2010, no fim da gestão do então prefeito Wilson Bastos Pereira, quando a Prefeitura de Paulo Afonso inaugurou o Centro de Abastecimento (Ceasa), às margens da BA-210.

Com a mudança, a tradicional feira livre que funcionava nas ruas Afonso Raimundo, Delmiro Gouveia e Padre Lourenço, no BTN 2, foi transferida para o novo espaço.

A decisão, no entanto, não ocorreu de forma tranquila.

Parte dos feirantes — especialmente aqueles que trabalhavam diariamente — resistiu à mudança e permaneceu nas ruas, mantendo suas atividades no local original.

Nos anos seguintes, já na gestão de Raimundo Caíres, a Prefeitura tentou uma solução provisória, alugando um imóvel para abrigar esses trabalhadores. A medida, porém, teve duração limitada. Após cerca de dois anos, o proprietário solicitou o imóvel para uso próprio, e os feirantes ficaram novamente sem alternativa.

Voltaram para a rua.

Posteriormente, passaram a ocupar a área onde estão atualmente, em frente ao imóvel abandonado.


Impasse que atravessa gestões

Desde então, o problema atravessou diferentes administrações. Mais de 16 anos se passaram, e nenhuma solução definitiva foi implementada.

Quem trabalha no local convive com a instabilidade. Quem mora nas proximidades, com os impactos diretos. E quem circula pela região, com o risco.

Para moradores, o que mais chama atenção não é apenas o cenário atual, mas a percepção de que alternativas poderiam ter sido adotadas ao longo do tempo. Medidas como a utilização provisória do imóvel, acordos judiciais, projetos de reordenamento urbano, locação com possibilidade de aquisição ou até desapropriação por interesse social são apontadas como caminhos possíveis que não avançaram.

Hoje, o que se vê é um problema acumulado ao longo dos anos.

E um impasse que permanece sem solução.


Cobrança à gestão atual

Diante desse cenário, cresce a expectativa por um posicionamento da atual gestão municipal.

O prefeito Mário Galinho, que não foi responsável pela origem do problema, é cobrado por moradores e trabalhadores a apresentar uma solução definitiva para a área — que garanta segurança, organização urbana e condições dignas para os feirantes.

A demanda é clara: resolver um problema antigo, reduzir riscos e preservar tanto a vida quanto a atividade econômica no local.

Enquanto isso, a realidade segue a mesma no BTN — entre o trabalho de quem resiste e a espera de quem aguarda, há anos, por uma resposta que ainda não veio.



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