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Paulo Afonso,11/03/2026

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Dinheiro sujo na conta de ACM Neto é do Banco Master

Jornal O Globo
Dinheiro sujo na conta de ACM Neto é do Banco Master Foto: Divulgação

Dinheiro sujo na conta na ACM Neto é do Banco Master


O relatório do Coaf revelou que o ex-prefeito de Salvador e atual vice-presidente do União Brasil, ACM Neto, recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da gestora Reag entre 2022 e 2024. O caso expõe contradições no discurso de honestidade que Neto sustenta publicamente e coloca em xeque sua imagem de político “limpo”.


Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que a empresa A&M Consultoria Ltda., criada por ACM Neto logo após as eleições de 2022, recebeu R$ 3,6 milhões em repasses do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e da gestora Reag. Os pagamentos ocorreram entre dezembro de 2022 e maio de 2024, período em que o banco já estava sob investigação por fraudes financeiras e movimentações suspeitas.

A revelação é explosiva porque ACM Neto construiu sua carreira política com o discurso de ser um gestor honesto e moderno, em contraste com adversários acusados de corrupção. No entanto, os repasses milionários para uma empresa de consultoria com capital social de apenas R$ 2 mil levantam dúvidas sobre a real natureza desses contratos. O Coaf destacou que os valores movimentados estavam muito acima da capacidade financeira declarada pela empresa, o que reforça a suspeita de irregularidades.


O Banco Master, envolvido em escândalos de corrupção e alvo de operações da Polícia Federal, aparece como protagonista em diversas denúncias de relações perigosas entre o sistema financeiro e a política. O fato de ACM Neto ter recebido recursos justamente dessa instituição coloca em xeque sua narrativa de independência e transparência. Críticos afirmam que o caso mostra como políticos de direita, que se apresentam como “morais”, também se beneficiam de esquemas nebulosos.


A defesa de Neto é de que os valores correspondem a serviços de consultoria prestados pela A&M Consultoria. No entanto, a proximidade temporal entre a criação da empresa e o início dos repasses, somada ao histórico de investigações contra o Banco Master, gera forte desconfiança. Para analistas políticos, o episódio pode fragilizar sua pré-candidatura ao governo da Bahia em 2026, já que a denúncia mina o discurso de honestidade que sempre sustentou.


O escândalo expõe mais uma vez como o poder econômico se infiltra na política brasileira, transformando contratos privados em instrumentos de influência. Para ACM Neto, que sempre se apresentou como alternativa “limpa” ao modelo tradicional, a revelação é devastadora, o político que dizia não se misturar com escândalos agora aparece ligado a um dos bancos mais investigados do país. A pergunta que fica é se o eleitor baiano aceitará essa contradição ou se cobrará coerência de quem se vendeu como símbolo de honestidade.


Com informações do Jornal o Globo.




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