Gilmar Teixeira
A sabedoria do silêncio
Foto: DivulgaçãoCom o tempo, a vida vai ensinando lições que não estão nos livros, nem vêm em forma de conselhos diretos. Uma delas é aprender a calar a boca sobre a própria vida. Não por medo, nem por arrogância, mas por proteção. Há histórias que não precisam de plateia e dores que não suportam comentários.
Na ânsia de desabafar, muitas vezes entregamos nossos segredos a ouvidos errados. Inimigos disfarçados de amigos escutam com atenção, não para ajudar, mas para usar cada palavra como munição no momento oportuno. Sorriem enquanto escutam, mas guardam o que foi dito para ferir depois. É aí que o silêncio se revela mais fiel do que qualquer promessa.
Aprender a dar o silêncio a quem não pede palavras é um ato de maturidade. Nem todo mundo merece saber o que se passa no nosso coração, nem todo mundo sabe cuidar do que escuta. Há pessoas que não querem entender, apenas julgar; não querem ajudar, apenas comentar.
Da mesma forma, a ausência também ensina. A quem não valoriza a nossa presença, oferecemos a distância. Não como castigo, mas como respeito próprio. Quem sente falta, procura. Quem se importa, demonstra. E quem não percebe a nossa importância, acaba ensinando que é hora de seguir em frente.
No fim das contas, o silêncio não é vazio. Ele é cheio de sabedoria, de limites e de amor-próprio. Falar menos sobre a própria vida é, muitas vezes, viver mais em paz. E essa paz, ninguém tem o direito de nos tirar.
* Gilmar Teixeira





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