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Paulo Afonso,13/02/2026

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Gilmar Teixeira

Casquetinho: o templo do futebol amador da cidade

Arquivo Gilmar Teixeira
Casquetinho: o templo do futebol amador da cidade Casquetinho

Desde menino, eu já sabia que havia caminhos que a gente só aprende com o coração. Sócio do CPA, Clube Paulo Afonso, muitas vezes eu “fugia” pelos fundos do clube, não por rebeldia, mas por curiosidade e paixão. Do outro lado, quase escondido, ficava o campinho anexo, onde aconteciam peladas que entraram para a memória da cidade. Ali, funcionários da CHESF, moradores das redondezas, transformavam o fim de tarde em ritual: bola rolando, risadas soltas, suor honesto e, depois, o famoso churrasco, sempre regado a cerveja gelada e boas histórias.


Mas aquele pedaço de chão guardava mais do que partidas memoráveis. Guardava um sonho. O sonho de Agenor, funcionário do jurídico da CHESF. Homem correto, de fala mansa e ideias firmes, que amava o futebol de campo. No CPA, jogava-se muito futsal, esporte que ele respeitava, mas que não lhe roubava o coração. O que Agenor queria mesmo era ver a bola correr na grama, mesmo que fosse num chão batido, com traves simples e muita vontade.


Toda vez que passava em frente ao terreno baldio ao lado do CPA, ele imaginava: ali podia nascer um campo. E nasceu primeiro na cabeça, depois na conversa. Agenor procurou seu chefe à época, o Dr. Ricardo Holanda, o APA da CHESF na época, que se encantou com a ideia. A CHESF entrou em cena, e aquele espaço esquecido começou a ganhar forma. O que era abandono virou encontro. O que era vazio virou jogo.


As primeiras partidas logo atraíram gente de todo canto. O “baba” cresceu, ganhou fama e se tornou o principal da cidade. Faltava só um nome. E como toda boa história nasce do afeto, a turma resolveu homenagear o idealizador. Agenor nunca largava seu inseparável casquete — chapéu simples, de trabalhador — usado no expediente e também à beira do campo. Assim, entre uma resenha e outra, o batismo aconteceu: Casquetinho.


O nome pegou. O campo virou associação, virou clube, virou referência. Mais do que um espaço de lazer, o Casquetinho se tornou ponto de encontro de amigos e famílias, tradição passada de pais para filhos. Cinquenta anos depois, continuam as peladas divertidas, o churrasco caprichado, a cerveja sempre gelada e, sobretudo, o sentimento de pertencimento.


Tudo começou com um homem e um casquete na cabeça. Hoje, o futebol amador de Paulo Afonso agradece. Porque ali, no Casquetinho, não se joga apenas bola — joga-se memória, amizade e alegria depois de um dia puxado de trabalho.


Viva Agenor do Jurídico.

Viva o Casquetinho!


* Gilmar Teixeira




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