Gilmar Teixeira
A lâmpada que habita o olhar
DivulgaçãoA lâmpada que habita o olhar
Disse Jesus que os olhos são a lâmpada do corpo. E não falou apenas da visão que distingue formas e cores, mas daquele olhar silencioso que vai além da retina e alcança a alma. Os olhos não são apenas janelas do mundo para dentro de nós; são portas por onde escolhemos o que permitimos morar no coração.
Vivemos tempos em que os olhos são constantemente disputados. Telas acesas dia e noite, imagens que seduzem, notícias que ferem, cenas que banalizam a dor, a mentira e o ódio. Tudo passa diante de nós com rapidez, como se não deixasse marcas. Mas deixa. Sempre deixa. Aquilo que os olhos acolhem, o coração acaba guardando.
Quando alimentamos o olhar com aquilo que é raso, violento ou vazio, aos poucos a luz interior vai se apagando. Não de repente, mas em silêncio. A alma vai ficando cansada, inquieta, pesada, sem saber exatamente por quê. É a lâmpada que perdeu o brilho, não por falta de energia, mas por excesso de sombras.
Mas há também o outro caminho. O olhar que busca o bem, a beleza simples, o gesto solidário, a palavra que consola, a paisagem que acalma, o rosto que pede cuidado. Esse olhar ilumina por dentro. Quem escolhe ver com bondade acaba aprendendo a viver com mais paz. O coração se molda conforme aquilo que os olhos aprendem a admirar.
Cuidar do que deixamos entrar pelos olhos é um ato de responsabilidade espiritual. Não é fuga do mundo, é escolha consciente. É entender que nem tudo o que é visível nos convém, e que preservar a luz interior exige vigilância diária.
No fim, os olhos revelam quem somos e, ao mesmo tempo, nos transformam. Se são lâmpada, que sejam luz. Se são porta, que filtrem. Porque o que deixamos entrar pelos olhos, cedo ou tarde, passa a habitar o coração — e é dali que nasce tudo o que somos.
* Gilmar Teixeira





COMENTÁRIOS