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Paulo Afonso,13/02/2026

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Gilmar Teixeira

Zé Miranda, a Patada Atômica

Arquivo Gilmar Teixeira
Zé Miranda, a Patada Atômica Zé Miranda

Paulo Afonso nasceu do encontro das águas com o sonho. Sonho de luz, de progresso, de gente simples que deixou o sertão para construir, com o próprio suor, as grandes usinas da CHESF. Entre essas famílias vindas de tantos cantos do Nordeste, chegou também, lá de Monteiro, no sertão paraibano, a família de um menino que mais tarde faria história nos campos e nas quadras da cidade, juntamente com os irmãos que também foram grandes jogadores, Véio Sapitanga, Fábio, e Tata: mais o destaque da família foi José Miranda de Assis, o eterno Zé Miranda.


Foi em Paulo Afonso que Zé Miranda cresceu, brincou, estudou e aprendeu a amar o futebol. Ainda menino, treinado pelo técnico Joaquim,  descobriu que tinha nos pés um dom raro. No futebol de salão, onde o espaço é curto e o tempo é rápido, ele reinou absoluto. Seu chute era seco, violento e certeiro. A bola parecia ganhar vida própria, rasgando o ar antes de estufar as redes. Nascia ali a lenda da “patada atômica”, o chute que virou pesadelo para os goleiros e assunto certo nas rodas de conversa da cidade.


Zé Miranda não jogava apenas para marcar gols; jogava para encantar. Era o terror dos arqueiros, mas também o orgulho das arquibancadas. Defendeu com raça e talento clubes importantes de Paulo Afonso e da região, deixando sua marca por onde passou. Vestiu camisas tradicionais como Olímpico, COPA, Juventus e levou sua força também para Delmiro Gouveia, onde se tornou figura constante e respeitada nos campeonatos locais. Em Petrolândia, defendeu o Central, sempre com o mesmo espírito competitivo e leal.


No Juventus de Paulo Afonso, experimentou o gosto do título, confirmando que não era apenas um bom chutador, mas um verdadeiro vencedor. Pela Seleção de Paulo Afonso, representou a cidade com honra, levando seu nome e sua fama além das fronteiras locais.


No futebol de salão, sua história é ainda mais marcante. Real Bahia, CPA, COPA, Posto Avenida e a Seleção de Paulo Afonso foram palcos de gols inesquecíveis, muitos deles finalizados com a temida patada que parecia desafiar as leis da física. Nos babas da Amizade, Velhinhos e Boa Vista, no velho campinho do balneário,  continuava mostrando que o talento não envelhece; apenas ganha mais história para contar.


Mas Zé Miranda foi grande também fora das quatro linhas. Funcionário exemplar da CHESF, atuou como operador de usinas, dividindo com dignidade o tempo entre o trabalho e o futebol. No COLEPA, brilhou como atleta nas Olimpíadas, sempre com destaque, mostrando que disciplina e paixão podem caminhar juntas.


Assim, Zé Miranda entrou para a história do futebol de Paulo Afonso não apenas pelos gols ou pela força do chute, mas pelo exemplo de homem simples, trabalhador e apaixonado pelo esporte. Um filho do sertão paraibano que encontrou na terra das cachoeiras o cenário perfeito para eternizar seu nome.


Zé Miranda não é apenas lembrança. É memória viva de um tempo em que o futebol era feito de raça,

 amizade e amor à camisa. É, e sempre será, a patada atômica que ecoa na história do nosso futebol.


* Gilmar Teixeira



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